segunda-feira, 30 de maio de 2011

O manuscrito final (primeira parte)

       Não vejo mais a vida com a mesma intensidade, mas me lembro de cada cor exatamente como sempre foi, lembro-me de tudo, como se tudo fosse apenas um velho álbum de fotos, destes que se usam mais pra contar histórias do que pra realmente ver fotos. E assim a vida se transforma em uma palheta de cores, e percebemos que as vezes é preciso mudar os tons do nosso viver. Você faz escolhas, e cada escolha é uma cor diante de uma infinidade de outras opções.E assim o velho álbum de foto também vai se transformado, e o mundo se perde em tantas cores.
      Mas ao chegar ao final do álbum, vai perceber que as cores vão se acabando, e que tudo vai escurecer, até que tudo fique negro. Nessa altura já não vai ser mais possível ver aquele álbum, e relembrar as histórias. Mas há algo ainda mais importante, vai perceber que não poderá mais estar com que estava com você nas fotos.
      A nossa história, assim como o álbum de retratos também chega ao fim, e não há nada que se possa fazer . Talvez torcer para que alguém um dia tenha curiosidade de abrir seu álbum e viver tudo aquilo que cada um de nós é capaz de viver. Mas é preciso valer a pena percorrer as páginas desse álbum.


Zade Bretas


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