quarta-feira, 30 de junho de 2010

Pesadelo

Eu acordei muito assustado
Procurando entender
Um sonho movimentado
Trágico demais pra se viver

Amigos a trair
Uma pai ausente a sofrer
Ninguém pra me seguir
Meu próprio mundo eu não quis ver

Eu sempre calado
Ouvindo aquela voz
Um desespero atordoado
Sem poder desatar nós

Enxerguei os meus defeitos
Em uma cena de cinema
Seres tão imperfeitos
Cada um com seu problema

Fugindo como um louco
De um momento angustiante
Insanidade era pouco
Naquele grande instante

Deixei minhas tristezas
Encarei outra no caminho
Mais intensas com certeza
Pois eu estava sozinho

Observei pessoas e sonhos
Bem distantes de mim
Início de rascunhos
Sem saber chegar ao fim

Crianças perdidas
Meu passado queria ter
Eu tinha duas vidas
Sem saber qual escolher

Por sorte estou acordado
Rindo do que aconteceu
Pode ser que eu esteja cansado
Acho que o sonho nem era meu


Zade Bretas


segunda-feira, 28 de junho de 2010

Abra a felicidade!

Assim que eu conseguir abrir a garrafa de Coca Cola, tudo vai dar certo...

Zade Bretas


terça-feira, 22 de junho de 2010

Eu, quem?

Eu sou ninguém
Mas também...
Sou alguém
Do além

Sou quem você tem
Quem te mantém
Te intervém
Sou seu porém

Sou seu refém
Num vaivém
Não valho um vintém
Mas sou quem te convém

Estou aquém
Do seu harém
Do seu desdém
Amém


Zade Bretas



quarta-feira, 9 de junho de 2010

Fotos nunca irão transmitir o sentimento de cada
instante.

Zade Bretas

Lar... amargo lar

Bem lá no fim do corredor
Mora uma velhinha
Que já não me conhece
E nem me protege

Amigos brancos e azuis
E alguns pouco queridos
Viaja por dez metros
E volta pra cama

Já não tem marido, filhos ou netos
Quase não tem um coração
Mas tem um outro
Que nos matem vivos

Já não sabe aonde ir
Muito menos onde ficar
Ela quer ir ali
Mas não sabe voltar

Fome ela não quer
Alimenta-se de sonhos
Reclama de dores
As dores que eu sinto

Fantasias a todo o momento
Fogo, água, bicho e gente
Sorrisos felizes
Inocentes

Tagarela como sempre
Mas não tem a mesma voz
Ouve minhas perguntas
Mas quase sempre não as responde

Ela quer flores na cabeceira
Ela quer um jardim
Ela quer perfume
E eu só a quero

No fim do corredor...
Ela está ali
Mas ela não sabe
Que mora assim

Venha pros meus braços, “vó”
Deixa eu te levar pra casa
Dê-me a mão
Longe de mim nunca... não!


Zade Bretas



terça-feira, 1 de junho de 2010

Semáforos

Seres tão perfeitos
Para mim tão cruéis
Caminhos desfeitos
Reconstruídos em papeis

Proibindo e permitindo
Luzes de ladeira
Cores me seguindo
As mesmas da minha pulseira

Encontro pessoas cegas
Para uma vida inteira
Nunca sossegas
E as perco de bobeira

Seus sinais não me confortam
Apenas me protegem
Meus olhos não te aceitam
Nessas leis que me regem

Eterno companheiro
De uma vida inquietante
Fiel escudeiro
Para sempre esse instante...


Zade Bretas