Bem lá no fim do corredor
Mora uma velhinha
Que já não me conhece
E nem me protege
Amigos brancos e azuis
E alguns pouco queridos
Viaja por dez metros
E volta pra cama
Já não tem marido, filhos ou netos
Quase não tem um coração
Mas tem um outro
Que nos matem vivos
Já não sabe aonde ir
Muito menos onde ficar
Ela quer ir ali
Mas não sabe voltar
Fome ela não quer
Alimenta-se de sonhos
Reclama de dores
As dores que eu sinto
Fantasias a todo o momento
Fogo, água, bicho e gente
Sorrisos felizes
Inocentes
Tagarela como sempre
Mas não tem a mesma voz
Ouve minhas perguntas
Mas quase sempre não as responde
Ela quer flores na cabeceira
Ela quer um jardim
Ela quer perfume
E eu só a quero
No fim do corredor...
Ela está ali
Mas ela não sabe
Que mora assim
Venha pros meus braços, “vó”
Deixa eu te levar pra casa
Dê-me a mão
Longe de mim nunca... não!
Zade Bretas
Zade Bretas

Nenhum comentário:
Postar um comentário